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Resenha: Veleiro Garça Azul, o Lado Duro da Vela, de Fernando P. Kuhlmann

(Cortesia do autor)

Título: Veleiro Garça Azul, o Lado Duro da Vela

Autor: Fernando P. Kuhlmann 

Editora: Travassos Publicações

Páginas: 80

“A obra ‘Veleiro Garça Azul, o lado duro da vela’ se constitui de um apanhado de seis histórias sobre fatos reais vividos pelo autor e a prática do esporte de sua paixão, o iatismo oceânico. Descreve suas experiências como narrador de uma obra literária e detalha o surgimento do interesse pelo iatismo no seu prefácio. Lá se encontra, de forma descontraída e interessante, o glossário de termos náuticos, expressões específicas estranha ao público não especializado e fundamental no enredo dos acontecimentos. No primeiro episódio o solitário navegador é surpreendido por atroz tempestade com a qual peleja horas a fio até o final de suas forças. A luta tem um desenlace surpreendente produzido pelas forças da natureza que o desafiam. No segundo relato vemos a deliciosa velejada de fim de semana prolongado evoluir até a inconveniência surgida com a alteração dos elementos naturais criar o cenário e oportunidade para o insólito e o incompreensível. Uma maratona de manobras e contra manobras são exigidas na atracação mais desastrada relatada no terceiro capítulo, explicitando o inesperado e desafiador que o mar reserva para seus navegantes. […]”

Leia mais da sinopse aqui.

Bem, com uma sinopse dessas não sei se preciso dizer mais alguma coisa. Ali já há um belo resumo do que podemos esperar do livro Veleiro Garça Azul. Ele conta com seis histórias de experiências vividas pelo próprio autor no mar, próximo à costa brasileira. A maioria deles se passa entre os estados da Bahia e São Paulo, e mostram os vários desafios enfrentados no mar pelos que o velejam.

“- Estou olhando, mas não estou enxergando. Minha nossa, como é que nunca vi que isso deve ser uma coisa muito legal! […] Olha, é um barco todo redondinho, bonito, tem um mastro, que como nas grandes navegações, te leva para onde você quiser. É a própria liberdade materializada.
Dito e feito, fui fisgado.
Apoderou-se de mim a grande paixão pelo Iatismo.”

O autor começa falando sobre como foi conseguir realizar um sonho despertado inusitadamente, e segue para a primeira história, onde narra sobre as desventuras tidas por ele ao tentar voltar de Morro de São Paulo em direção a Ribeira. Era uma manhã de inverno, e não havia nenhuma brisa que o ajudasse em sua viagem, como a que o acompanhou na de dois dias antes. Provavelmente, uma logo viria, pensou ele, e foi então com o Garça Azul em direção ao seu destino. E, de fato, ela veio. No início, fraca, porém com o escurecer do céu no horizonte, cada vez mais forte. O mar já estava da cor de piche, e logo uma grande tempestade começou, desafiando o autor em seu pequeno veleiro a enfrentar fortes ondas que o assolavam e mandavam seu barco de um lado para o outro.

Com isso já podemos imaginar a difícil situação em que Fernando se encontrava. Ele decidiu então voltar para a Ilha de Tinharé, porém teve de enfrentar mais um desafio: o de manobrar o barco sozinho, visto que não havia mais ninguém consigo no veleiro. Muito esforço isso lhe requere, e quase ao ponto de não aguentar mais, o conto tem um desfecho inesperado para o autor já esgotado.

E assim as aventuras continuam ao decorrer de outros cinco contos/capítulos. Em cada um, o autor nos contando um pouco mais da sua experiência com o Garça Azul, com situações curiosas e acontecimentos inesperados, que nos chamam a atenção e surpreendem com seus desfechos, muitas vezes, imprevisíveis e emocionantes.

No início, eu não sabia muito o que esperar. A literatura nacional estava em segundo plano em minhas leituras, e eram poucos aqueles que me chamavam a atenção sem ser os grandes clássicos da literatura. Entretanto, posso dizer que este foi uns do que me surpreendeu positivamente, e me encantou tanto pela forma como foi escrito como por trazer para mais perto aquelas aventuras em meio ao mar, as quais somente encontramos em histórias que se passam em lugares distantes de nós, ou passadas em tempos remotos, o que não é o caso da obra que temos em mãos.

Logo no prefácio, Kuhlmann já nos conta um pouco de como foi o processo de construção de seu veleiro, em meio a uma crise econômica no Brasil do final da década de 80 e a dificuldades para encontrar quem o ajudasse a fazer e o instruísse no comando dele. Além do processo de escrita deste seu primeiro livro, que o fez reviver aventuras e desventuras que foram únicas em sua vida.

O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio autor e navegador, e apresenta uma escrita, como ele diz, “levemente” formal, porém da mesma forma fluída e interessante, que deixa toda a história mais emocionante, lembrando aquelas de grandes clássicos.

“Na verdade, o conteúdo deste livro versa sobre situações e acontecimentos inusitados, que eu os tenho como únicos. Dai o imperativo de relatá-los. Sucintos, num estilo levemente formal, pois é como creio que a seriedade de algumas situações devem ser narradas.”

Por ser leiga no assunto, tive um pouco de dificuldade no início com os termos náuticos utilizados pelo autor. Porém, logo depois fui me acostumando, e a explicação de alguns deles escrita pelo autor no prefácio ajudou em muito no entendimento. Somente os outros que eu não conseguia visualizar, principalmente, as partes que formavam o veleiro, uma rápida pesquisa pode ajudar.

Apesar de não chamar muito a atenção pela capa, os detalhes do interior do livro são lindos e isso foi uma das coisas que mais me chamou a atenção. Impressionei-me com o cuidado com o qual o livro foi feito, e com as belas ilustrações que nos esperam a cada início de capítulo.

Ao decorrer da narrativa, várias histórias me chamaram a atenção, não por apresentarem acontecimentos fantásticos ou por terem um final mais surpreendente, mas sim por advirem de situações e acontecimentos do cotidiano do narrador que eram para ter sido “simples” e tiveram um desenrolar inesperado em pouco tempo, me instigando a curiosidade de saber mais e ouvir ainda mais outras histórias.

Os únicos problemas que posso dizer que encontrei foram alguns erros de digitação, e o fato de às vezes uma grande expectativa ser criada e nem sempre cumprida – me deixando com uma impressão de que mais poderia ser contado -, mas o que não influenciou em muito na leitura, pois esta sempre mantia um mesmo ritmo.

O livro é curtinho, com apenas 80 páginas, e pode ser lido em pouco tempo. Posso dizer que essa foi uma boa experiência de leitura para mim, e gostei muito de poder conhecer e aprender um pouco mais sobre a arte da navegação a vela – ou iatismo -, além de poder me aventurar mais na literatura nacional. Agradeço mais uma vez ao autor, por ter me proporcionado essa grande oportunidade e por ter compartilhado conosco, leitores, um pouco das suas singulares experiências em meio ao mar! Recomendo a leitura sem dúvidas a todos que gostam do gênero e apreciem ou desejem conhecer mais da arte do iatismo também! 

“Não há lugar para fracos ou a desistência no mar. Uma vez as amarras soltas, só existe uma opção a evitar o desastre, a chegada e atracação no porto seguro.”

Classificação: 

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